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| PROJETOS |
Projeto Programas Amigáveis para Adolescentes
É um projeto em parceria com a SAVE THE CHILDREN Reino Unido para construir um modelo de serviços amigáveis capaz de dar conta das demandas e especificidades de adolescentes e jovens de 10 a 19 anos.
Este projeto teve inicio em dezembro de 2005 e conta com a participação de 7 UBSs – Unidades Básicas de Saúde, nas cidades de SP, Recife e Natal.
Em São Paulo, o Hospital Pérola Byington, que é referência no atendimento de saúde da mulher, colabora com o projeto.
Além dos/as profissionais da área da saúde, também integram o projeto os jovens do grupo Juventude Força e Ação.
Principais atividades do projeto e alguns resultados:
1. Capacitação dos Profissionais de Saúde
• Módulo 1: Concepção de juventude - de que jovens estamos falando?
• Módulo 2: Conceitos: sexo, sexualidade e relações de gênero.
• Módulo 3: Marcos Legais e a Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens.
• Módulo 4: Compreensão do SUS e serviço de acolhimento do Hospital Pérola Byington.
• Módulo 5: Violência Sexual e Contracepção de Emergência.
• Módulo 6: Acolhimento: mulheres, adolescentes e crianças vítimas de violência.
• Módulo 7: A importância do controle social e suas interfaces no Programa da Saúde da Família.
2. Capacitação dos adolescentes/jovens nos temas:
• Concepção de adolescências e juventudes.
• Sexualidade.
• Relações de gênero.
• Direitos sexuais e direitos reprodutivos.
• Relações raciais.
• Advocacy.
3. Pesquisa qualitativa - grupos focais* com os profissionais de saúde e com os adolescentes/jovens
* Grupos focais são utilizados para obter dados qualitativos sobre as opiniões, crenças, atitudes e valores relacionados a um aspecto ou tema específico. Com o roteiro, um facilitador bem treinado, convoca-se grupos de 8 a 13 pessoas para discutir um tema específico.
3.1. Principais resultados da pesquisa com os adolescentes/jovens:
a) Quanto à procura pelas UBSs:
• Garotas procuram mais o serviço que os rapazes. Buscam informações sobre a primeira vez e métodos contraceptivos.
• Os rapazes só procuram para buscar preservativos, se estiverem doentes ou com algum problema visível no corpo.
b) Quanto à aparência das UBSs:
• Um lugar cheio.
• Um lugar que causa apreensão.
• Não sabem com quem falar.
• Lugar aonde vão idosos, crianças e jovens grávidas.
c) O que sugerem mudar:
• Mudaria a cor do posto, mais colorido para chamar a atenção dos jovens;
• Poderia ter música ambiente.
• Poderia ter grupo de apoio para jovens, com programas, encontros, debates sobre assuntos do dia-a-dia dos jovens.
• Poderia ter uma sala só para os adolescentes/jovens, com computador, revistas que falem sobre doenças, informações sobre saúde; videoclips, DVD de música.
d) Atividades sugeridas para acontecer nas UBSs:
• Encontros quinzenais para debates de temas variados/rodas de conversa.
• Dinâmica para eles não ficarem sentados na sala de espera. Debates sobre temas atuais.
3.2. Principais resultados da pesquisa com profissionais da saúde:
a) Quanto ao acolhimento:
• Não há uma metodologia de acolhimento específica.
• Depende da equipe.
• É comum a/o agente de saúde receber os jovens.
b) Quanto ao espaço e aos recursos humanos:
• Falta número adequado de técnicos.
• Falta treinamento específico para trabalhar com adolescentes.
• Não há espaço adequado para atividades com os jovens.
• A comunicação visual não considera a população jovem que também é usuária do serviço.
c) Trabalhos desenvolvidos com adolescentes/jovens:
• Grupo de jovens em duas UBSs (trabalho recente) e com significativo sucesso (os jovens adoram os grupos).
• Não há nenhuma atividade específica para HIV/Aids;
• Falta de privacidade para os jovens.
d) Sobre os motivos que levam os jovens às UBSs:
• Curiosidade sobre a vida sexual/sexualidade, especialmente das meninas (média de idade 12 a 15 anos).
• Meninos buscam o serviço principalmente para receber camisinha ou quando estão com algum problema aparente de saúde. A procura por orientação é pequena.
• Porém, meninos, quando estimulados (pelas namoradas ou agentes de saúde) participam ativamente das atividades de grupo.
• Meninos de 10 a 14 geralmente vão ao serviço para acompanhar mãe, irmã etc.
e) Recomendações quanto a um serviço de atendimento amigável:
• Uma recepção "sensível" à população de adolescentes e jovens ou, a exemplo do Hospital Perola Byington, ter jovens treinados para receber "amigavelmente" também adolescentes e jovens.
• Sala espaçosa, multimídia, para atividades com os jovens.
• Espaço onde seja garantido a privacidade dos adolescentes e jovens.
• Sala com computadores, onde também pudessem ter acesso a outras informações tais como "bolsa trabalho", "bolsa de estudo" "cursos" etc.
• Comunicação visual atrativa para os jovens, com cartazes, frases etc (a informações sobre a primeira vez e métodos contraceptivos UBS tem de informações sobre a primeira vez e métodos contraceptivos se comunicar com todos os tipos de público).
f) Recomendações quanto à metodologia de trabalho:
• Facilitar a interlocução entre adultos e jovens.
• Aprimorar e qualificar a escuta para adolescentes e jovens.
• Sensibilização e capacitação para técnicos, desde a recepcionista até o coordenador;
• Realização de grupos de discussão com temática de adolescentes, jovens e saúde;
• Atividades dinâmicas, participativas, criativas em parceria com adolescentes e jovens;
• Promoção de passeios em parceria com adolescentes e jovens.
• Realizar atividades na comunidade (ex.: nas escolas).
• Oferecer atrativos como lanches.
5. Desafios a serem enfrentados para a implantação do modelo de atendimento amigável:
• Ampliar o envolvimento / interesse dos técnicos em geral e da coordenação, em particular (integração das equipes).
• Discutir o projeto Serviço Amigável com toda a Unidade.
• Obtenção de recursos (é preciso ter previsão orçamentária).
• Tornar a temática "adolescência" uma prioridade da política de saúde prevista pelo Ministério da Saúde.
• Obter material didático e metodológico para trabalhar com jovens.
• Vencer a resistência da família, que acha que os jovens perdem tempo na UBS com os grupos (não ganham nada).
6. Recomendações
• Necessidade de capacitação para todos os técnicos da UBS em temas ligados à juventude, direitos sexuais e reprodutivos; sensibilizá-los para o projeto Serviço Amigável e para a importância de ter os jovens freqüentando a UBS.
• Desenvolver trabalho interativo - jovens e profissionais; "ouvir" os jovens; fóruns de discussões; atividades com dinâmicas específicas.
• Participação ativa em conselhos (jovens).
• Confecção de materiais educativos específicos; aquisição de material educativo (vídeos, cartazes, apostilas).
• Atividades/oficinas com jovens e profissionais (palestras, grafites, rodas de conversa).
• Ações de sensibilização com as famílias, agentes comunitários de saúde e comunidade.
• Falar a mesma linguagem do jovem.
• Montar sala adaptada para os jovens e suas necessidades (cor, música, grafite, TV, vídeos educativos, informativos), inclusive para pessoas com necessidades especiais;
• Atendimento em horários alternados.
• Atividades nas escolas
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