O QUE JÁ FIZEMOS

 

SINAIS DA PREVENÇÃO

 

Sinais da Prevenção

No ano de 2017/2018, a ECOS desenvolveu, com o apoio do Fundo Poshitivo e em parceria com a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos de São Paulo (Feneis), o projeto “Sinais da Prevenção” que proporcionou a formação de 50 jovens multiplicadores surdos em Prevenção Combinada.

 

O projeto confirmou o que a literatura vinha apontando: os jovens surdos têm menor chance de se auto proteger pois sofrem barreiras de acesso a informações sobre sexualidade, gênero, direitos sexuais e reprodutivos, violência e prevenção das IST/HIV/AIDS. As informações sobre prevenção disponíveis na internet, livros, revistas, jornais, filmes, etc, não são traduzidos na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), o que é um problema, pois a modalidade escrita da Língua Portuguesa é pouco acessível para uma grande parte dos(as) surdos(as). Além disso, os serviços de saúde, de modo geral, não possuem profissionais capazes de atender pessoas surdas já que os mesmos desconhecem a linguagem de sinais e não contam com tradutores e intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa.

 

É evidente então que ainda faltam materiais, espaços e práticas de prevenção que permitam o acesso às informações capazes de impactar efetivamente nas pessoas surdas.  Entre os grandes desafios que se apresentam hoje na formulação de diretrizes e políticas públicas relacionadas às IST/HIV/AIDS está o fato de que as campanhas e ações preventivas levadas a cabo por governos, organizações multilaterais, ou OSCs não levam em consideração as demandas específicas desse grupo - demandas que contam com singularidades linguísticas e culturais, e que urgem serem cumpridas não por imperativos filantrópicos, caritativos ou assistenciais, mas por uma perspectiva de direitos.

 

Dessa forma, por meio do projeto “Sinais da Prevenção”, a ECOS proporcionou a formação de 50 jovens multiplicadores surdos em Prevenção Combinada, baseado em oficinas para adolescentes e jovens surdos de todas as regiões de São Paulo, na qual foram trabalhados diversos assuntos, como sexualidade, identidade de gênero, prevenção de ISTs, saúde sexual e reprodutiva, violência e abuso sexual. Os encontros realizados foram trabalhados com dinâmicas e interação entre todos, seguindo os princípios básicos da ECOS: a participação ativa, a autonomia e a construção coletiva entre os jovens. As atividades incluíram teatro, confecção e edição de vídeos, debates e rodas de conversas, entre outros formatos. Os vídeos trabalharam temas como o uso de preservativos, gravidez e homossexualidade, tudo feito com muito bom humor ou mesmo de uma maneira dramática.

Se, muitas vezes, o acesso à informação já é difícil para os ouvintes, a questão se torna ainda mais complexa para os surdos. Com o projeto, a informação chega a quem precisa, plantando uma semente, a qual irá brotar e se espalhar para as outras pessoas, gerando, assim, uma corrente de informação e conhecimento.

Educação em Sexualidade – Rede REGES

A proposta do projeto é a incidência política da sexualidade, no campo da educação, como uma dimensão fundamental das relações entre as pessoas e não apenas com um tema relacionado à saúde e à prevenção das doenças.

O projeto iniciou-se com a realização da pesquisa “As políticas de Educação em Sexualidade no Brasil – 2003 a 2016”. O foco desse estudo era mapear a inserção da discussão sobre sexualidade e gênero nos cursos de licenciatura e de pedagogia das universidades brasileiras. A partir do mapeamento, pudemos identificar alguns dos grupos de pesquisa do país que se debruçam sobre a questão da interface entre educação e sexualidade. Também pudemos constatar que são poucos os cursos de graduação que prevêem disciplinas específicas sobre sexualidade e gênero no currículo de formação dos profissionais que depois se tornarão professores na educação básica. A mesma pesquisa realizou um levantamento das políticas recentes relacionadas à educação em sexualidade (programas, projetos, ações, legislação, normas técnicas), tendo como marco histórico o período de 2003 a 2016.

 

Ações de advocacy

Os resultados da pesquisa As políticas de Educação em Sexualidade no Brasil vem sendo compartilhados com representantes de organizações sociais, de universidades e de instâncias governamentais em oficinas e reuniões promovidas pela ECOS.

Em junho de 2009, foi constituído um grupo composto por representantes de organizações não-governamentais com histórico de atuação na área e de grupos de pesquisa de universidades brasileiras. Com a constituição do grupo, pretendia-se unir esforços de modo a construir uma frente e incidir politicamente para a consolidação de uma proposta de educação em sexualidade a ser implantada nas escolas. A perspectiva é fomentar e fortalecer a inclusão da educação em sexualidade nos currículos escolares como um tema transversal, articulando-o aos conteúdos e questões relativas a gênero, diversidade sexual, direitos sexuais e direitos reprodutivos.

Resultados alcançados

Dentre os resultados alcançados pelo projeto até o presente momento, destacam-se:

  • Formação da Rede de Educação Gênero e Sexualidades – REGES com a participação de diversos representantes dos diferentes seguimentos da sociedade – sociedade civil, universidades, grupos de pesquisa, governos e agencias internacionais. Este grupo se organizou durante as reuniões, realizadas em 2009 e 2010, que possibilitaram a aproximação e troca de saberes entre estes atores que já questionavam a ausência de conteúdos de gênero na formação inicial de professores. O próximo passo deste grupo é a ampliação desta discussão com outros representantes da sociedade.

  • O Grupo de Trabalho Educação em Sexualidade e Ensino Médio tem como proposta fortalecer as ações e normativas referentes à inserção da Educação em Sexualidade no currículo do Ensino Médio. Este grupo é coordenado pelo Ministério da Educação e conta com a participação de representantes de outras instâncias do governo federal, além de representantes de organizações sociais e de universidades.

  • Atuação decisiva para a criação do Grupo de Trabalho (GT) Educação em sexualidade e Ensino Médio.

  • Participação na 32ª. Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-graduação em Educação-ANPED.

  • Participação na Consulta Sobre El Marco Legal Relacionado Con Educación De La Sexualidad Y Otras Acciones De Seguimiento A La Declaración “Prevenir Con Educación” – Ciudad do México.

  • As pesquisas e ações propostas pela ECOS no âmbito do presente projeto serviram de subsídio para a elaboração de um capítulo do Guía para el diagnóstico de la situación educativa de las mujeres en América Latina y el Caribe hispano, organizado pelo CLADEM. No capítulo elaborado pela ECOS, traça-se um panorama crítico das políticas de educação sexual brasileiras desenvolvidas nos últimos anos.

 

Escola Sem Homofobia

De acordo com ONG Transgender Europe, o Brasil lidera o ranking de assassinatos de pessoas trans no mundo. Foram 179 em 2017, número que ultrapassa a soma dos outros três países que seguem na lista. Esse dado aponta que 1 pessoa trans é assassinada a cada 48h no Brasil, sendo que 80% delas são negras.

Os estudos e as estatísticas publicadas nos últimos anos, bem como o contexto social atual, demonstram e confirmam cada vez mais o quanto a LGBTfobia (medo ou ódio irracional às pessoas LGBT) permeia a sociedade brasileira, estando também presente nos ambientes escolares que muitas vezes reproduzem as discriminações. Nesse sentido a escola é um espaço privilegiado para debater essas questões, justamente devido à sua missão educativa, civilizatória e ética, podendo assim influenciar positivamente no processo de desconstrução de verdades pré estabelecidas. Vale destacar as recomendações aprovadas na Conferência Nacional de Educação Básica em relação à diversidade sexual, dentre as quais citamos:

• Evitar discriminações de gênero e diversidade sexual em livros didáticos e paradidáticos utilizados nas escolas;

• Ter programas de formação inicial e continuada em sexualidade e diversidade;

• Promover a cultura do reconhecimento da diversidade de gênero, identidade de gênero e orientação sexual no cotidiano escolar;

• Evitar o uso de linguagem sexista, homofóbica e discriminatória em material didático-pedagógico;

• Inserir os estudos de gênero e diversidade sexual no currículo das licenciaturas.

Dessa forma, o projeto “Escola sem Homofobia” foi um projeto apoiado pelo Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (MEC/SECAD), com o objetivo de contribuir para a implementação do Programa Brasil sem Homofobia, pelo Ministério da Educação, através de ações que promovam ambientes políticos e sociais favoráveis à garantia dos direitos humanos e da respeitabilidade das orientações sexuais e identidade de gênero no âmbito escolar brasileiro. Para alcançar o objetivo previsto, a equipe do projeto atuou em duas frentes:

 1) Elaborou um conjunto de recomendações visando a orientação da revisão, formulação e implementação de políticas públicas que enfoquem a questão da homo/lesbo/transfobia nos processos gerenciais e técnicos do sistema educacional público brasileiro, que se baseou nos resultados de duas atividades:

 

  • Realização de 5 seminários, um em cada região do país, com a participação de profissionais de educação, gestores e representantes da sociedade civil, para obter um perfil da situação da homofobia na escola, a partir da realidade cotidiana dos envolvidos.

  • Realização de uma pesquisa qualitativa sobre homofobia na comunidade escolar em 11 capitais das 5 regiões do país, envolvendo 1412 participantes, entre secretários(as) de saúde, gestores(as) de escolas, professores(as), estudantes e outros integrantes das comunidades escolares
     

 2) Criou uma estratégia de comunicação para trabalhar a homo/lesbo/transexualidade de forma objetiva e consistente em contextos educativos com o objetivo de repercutir nos valores culturais atuais. A estratégia compreendeu:

 

  • Criação de um kit de material educativo abordando aspectos da homo/lesbo/transfobia no ambiente escolar, direcionado para gestores(as), educadores(as), estudantes.

  • Capacitação de profissionais da educação e de representantes do movimento LGBT de todos os estados do país nos conceitos principais referentes ao enfrentamento da homo/lesbo/transfobia e para a utilização apropriada do kit junto à comunidade escolar. A ECOS ficou responsável pela criação do kit de material educativo e da metodologia/conteúdo da capacitação, pela preparação da equipe de capacitadoras(es) e por ministrar a capacitação. Dessa forma, o kit Escola sem homofobia foi um conjunto de ferramentas pedagógicas destinado a educadoras/es do ensino médio, para auxiliar na erradicação do preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e para a promoção do convívio democrático com a diferença no ambiente escolar.

 

A ECOS ficou responsável pela criação do kit de material educativo e da metodologia/conteúdo da capacitação, pela preparação da equipe de capacitadoras(es) e por ministrar a capacitação. Dessa forma, o kit “Escola Sem Homofobia” foi um conjunto de ferramentas pedagógicas destinado a educadoras/es do ensino médio, para auxiliar na erradicação do preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e para a promoção do convívio democrático com a diferença no ambiente escolar.

 

Segurança Humana

Este projeto foi realizado em regiões periféricas da cidade de São Paulo/SP, no período de 2008 a 2011. Primeiramente, consistiu em um diagnóstico das potencialidades e demandas relacionadas à vida das/os jovens da região de José Bonifácio (Zona Leste), para o mapeamento e conhecimento de aspectos importantes da realidade local. O diagnóstico foi elaborado a partir dos dados oficiais da Prefeitura de São Paulo e contou com a participação de representantes de organizações da região. Em seguida, foi feita uma avaliação da experiência em José Bonifácio, para expandir o projeto para a região de Itaquera (zona leste). Após a avaliação da experiência em Itaquera, foi feita, finalmente, a implementação e posterior avaliação do projeto também na zona sul da cidade de São Paulo.

 

Vale destacar que o diagnóstico foi realizado pelo grupo denominado de Grupo Nuclear. Este grupo foi imbuído da função de irradiar, para a comunidade local, informações sobre os direitos de mulheres, homens, adolescentes e jovens, por meio de palestras e eventos em parceria com órgãos locais. O Grupo Nuclear recebeu uma formação por meio de oficinas temáticas organizadas em 4 módulos: Conceitos centrais: gênero e direitos sexuais e reprodutivos; Pertencimento: a história do bairro e de seus moradoras/es; Apropriação dos espaços públicos: baseado em perguntas disparadoras (por exemplo, a quem pertence José Bonifácio? Quais espaços são públicos? Como e por quem esses espaços são utilizados?); e por último, Discriminação (raça e orientação sexual): baseado em questões reflexivas (por exemplo, de que forma as pessoas, devido às suas etnias e orientação sexual, são tratadas em José Bonifácio?).

 

Como resultado do projeto foi verificado que as/os participantes ampliaram suas noções sobre espaços comunitários, por meio da identificação da estrutura básica existente na comunidade, dando início ao processo de reflexão coletiva sobre organização comunitária, equidade social, promoção da saúde, recursos voltados para o bem-estar e qualidade de vida na comunidade na qual vivem, estudam, trabalham.

 

Este projeto constituiu-se a partir dos pilares de diagnóstico, formação e avaliação da participação-ação, consolidando as etapas de construção do saber baseado nos valores da ECOS: a reflexão e a participação, em processo contínuo de avaliação situacional crítica e política.

 
 

Fliperama - Intervenções Urbanas

Este projeto foi realizado em duas edições, descritas a seguir.

 

I) Unidade de Saúde

O projeto “Fliperama – Unidade de Saúde” realizou, em 2011 e 2012, na região da Brasilândia, São José dos Campos e Embu das Artes, um mapeamento destas regiões em parceria com 6 Unidades de Saúde (UBS). Esse mapeamento revelou 6 grupos de jovens que ocupavam estes serviços de saúde semanalmente para criar conteúdo de um mapa virtual que alimentava as máquinas de Fliperama instaladas também dentro dessas unidades.

 

II) Intervenções Urbanas

A primeira edição do “Projeto Fliperama – Unidades de Saúde” foi tão exitosa que realizamos a segunda edição do “Projeto Fliperama – Intervenções Urbanas” na região da Brasilândia, São Paulo. Essa segunda edição foi formada por um grupo de 70 jovens de 14 a 16 anos, que coordenado por educadores multimídia, se propôs a transformação da região a partir de trabalhos artísticos realizados por seus próprios habitantes.

 

A ideia do projeto consistiu em um rito de passagem da adolescência em que os jovens - ao se apropriarem do seu próprio corpo - viessem a intervir na paisagem urbana, na libertação de suas opressões cotidianas, de seus automatismos, e de suas carcaças. Nesse sentido, ocupamos parte dos nossos encontros com jogos corporais e também, com todas as linguagens artísticas – teatro, música, desenho, texto, fotografia, vídeo. O nosso desafio foi recriar com os jovens ritos de passagem em que se ofereçam as condições para que eles pudessem expressar o seu valor, as suas capacidades e a sua coragem nos espaços públicos, por meio de intervenções reais no panorama dos locais em que vivem.

 

Uma das importantes perspectivas do projeto, que é também um dos pilares da ECOS, é disponibilizar o acesso aos registros de todas as atividades realizadas. Por isso, foram instalados terminais multimídia em locais estratégicos da comunidade para facilitar este acesso, e estes se pareciam com máquinas de fliperama.

 

Pra Tocar no Rádio

Em parceria com o Ministério da Saúde e UNESCO, a ECOS desenvolveu em seis episódios a rádio-revista chamada “Silvia e Você”, direcionada às mulheres ouvintes de rádios, principalmente ouvintes das rádios comunitárias, profissionais da saúde e educação que queiram utilizar o conteúdo em oficinas e grupos de discussão.

 

O objetivo deste projeto foi de contribuir para a democratização das informações sobre direitos, em especial os direitos sexuais e reprodutivos; para a erradicação da violência contra as mulheres e para que as mulheres de diferentes idades tenham conhecimentos para evitar o HIV e as doenças sexualmente transmissíveis. Neste sentido, os episódios promoveram uma reflexão sobre tais temas a partir de uma linguagem informal e mais próxima do cotidiano destas mulheres, como uma forma de propagar a informação de modo democrático.

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